Escritos de Eva

Aqui Eva escreve o que sonha e - talvez - não só. Não tem interesses de qualquer tipo nem alinhamento com sociologias, política, religião ou crenças conformes às instituições que conhecemos. Estes escritos podem servir de receita para momentos de leveza, felicidade ou inspiração para melhorar cada dia com bons pensamentos. Alguns poemas ou textos... Algumas imagens ou fotos... Mulheres e homens, crianças e idosos podem ler Eva e comentar dando a sua opinião.

2007-03-02

Visitas

2 de março de 2007

Um camião, ou um pesado, vai a boa velocidade pelas estradas rurais.

Entre curvas e contracurvas vai sempre acelerando até encontrar um ligeiro.
Nessa altura ultrapassa-o e corta-lhe a passagem.
Sem dizer uma palavra, o motorista abre o carro e retira um corpo de rapaz, quase inanimado, do banco de trás e leva-o nos braços, para o seu camião.
O condutor do ligeiro que, entretanto, saiu do carro, diz-lhe, do meio da estrada, que não teve culpa de nada e que ia precisamente levá-lo para cuidarem dele.
O do camião arranca com o rapaz e deixa o outro a falar sozinho e a gesticular no meio da estrada.
Muito mais tarde, encontram-se novamente os dois condutores e o do camião resolve falar.
Já sabia que não tinha prejudicado o rapaz mas também tinha de compreender que o rapaz agora pertencia àquela família.
Isso era evidente, mas o rapaz é que tinha aparecido lá em casa e depois sentira-se mal.
Pois sentira, porque tinha ficado muito tempo longe de si próprio e foi enfraquecendo até ficar inanimado.
Certo, mas ele não sabia como levá-lo de volta.
E, mesmo que soubesse, se ele não queria, como fazer? Não podia expulsá-lo pois ele só queria estar um pouco com a mãe. E ele também queria estar com ele.
Famílias separadas são assim e os filhos nem sempre concordam com a desunião.
Talvez fosse mais construtivo deixar, cada um por si, escolher as visitas e o tempo delas.

Porque os filhos nem pediram para nascer nem pediram a separação dos pais.
O meio termo, o da sensata harmonia, talvez possa ser encontrado, com (muita) boa vontade.
E vale a pena, de certeza, esse esforço.